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O TDAH diagnosticado na vida adulta

Foto do escritor: Rede TDAH Brasil
Rede TDAH Brasil
há 2 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 1 hora


Um estudo com mais de 13 mil adultos encontrou um perfil clínico mais leve entre pessoas diagnosticadas com TDAH na vida adulta. A comparação foi com pessoas diagnosticadas na infância ou adolescência. Mesmo assim, o grupo diagnosticado na vida adulta apresentava problemas importantes de saúde e dificuldades no cotidiano.


Esse resultado ajuda a entender por que algumas pessoas só recebem o diagnóstico depois de adultas. Um quadro menos intenso poderia passar despercebido por mais tempo, sugerem os autores. Mas a idade do diagnóstico conta apenas uma parte dessa história. Entender o que aconteceu antes é uma questão que pesquisadores da Rede TDAH Brasil já vinham investigando por aqui.


O que significa um perfil mais leve


O estudo recente foi publicado no JAMA Network Open e utilizou dados do programa norte-americano All of Us. Os adultos diagnosticados a partir dos 18 anos apresentaram menor frequência de outros transtornos mentais e de diversas doenças físicas do que aqueles diagnosticados antes dessa idade. Essas diferenças permaneceram após considerar idade e sexo.


Esse contraste também apareceu na análise genética. O grupo diagnosticado na vida adulta apresentou, em média, menor escore de risco para TDAH, uma medida que reúne informações de diversas variantes genéticas associadas ao transtorno.


O perfil mais leve, porém, não aparecia com a mesma clareza em todas as medidas. Na comparação de saúde e funcionamento cotidiano, a vantagem inicial dos diagnosticados na vida adulta diminuiu bastante quando a análise considerou escolaridade ou renda. Na maioria dessas medidas, as diferenças deixaram de ser estatisticamente significativas.


Para dimensionar as dificuldades, os pesquisadores também compararam cada grupo com pessoas sem diagnóstico de TDAH. Essas pessoas foram selecionadas para equilibrar características como idade, sexo, escolaridade e renda. Nessa comparação, os dois grupos com TDAH apresentavam mais problemas de saúde mental e física e mais dificuldades no cotidiano, independente da idade do diagnóstico.


Antes do diagnóstico, uma trajetória


Essas comparações descrevem diferenças entre adultos, mas não mostram como os sintomas evoluíram até ali. O estudo de 2026 reuniu informações em um único período, com diagnósticos e idades relatados pelos participantes, e não dispunha de dados sobre os sintomas na infância. Assim, não permite saber por que cada pessoa foi diagnosticada mais tarde.


Um estudo brasileiro já havia investigado como os sintomas mudavam ao longo dos anos. Publicado em 2021 no British Journal of Psychiatry, o trabalho analisou dados de 4.676 participantes de uma pesquisa que acompanha pessoas desde o nascimento na cidade de Pelotas, com avaliações aos 11, 15, 18 e 22 anos.


Entre os participantes classificados com TDAH aos 22 anos, uma análise identificou dois caminhos. Cerca de 78% apresentavam sintomas persistentes. Nos outros 22%, os sintomas aumentaram somente após a puberdade. Para investigar a possibilidade de manifestações mais tardias, essa classificação não exigiu sintomas na infância. O aumento posterior dos sintomas foi mais frequente entre mulheres e pessoas com QI mais alto.


O achado sustenta a possibilidade de manifestações mais tardias, mas deixa uma questão em aberto: os sintomas estavam ausentes antes ou algumas pessoas conseguiam compensá-los? Os autores reconheceram essa incerteza.


O que a idade não conta


A pesquisa de Pelotas acrescenta uma informação importante a essa discussão: os sintomas podem seguir trajetórias diferentes até a vida adulta. Saber quando o diagnóstico foi feito não basta para conhecer essa trajetória.


Para quem recebe esse diagnóstico, a necessidade de cuidado continua ligada às dificuldades que enfrenta. No estudo atual, mesmo o grupo com perfil mais leve apresentava problemas importantes de saúde e no cotidiano.


Curadoria: Prof. Dr. Eugenio Horacio Grevet — Psiquiatra e Coordenador Clínico da Rede de Pesquisa TDAH Brasil.

Referências


1.    Leffa DT, Bauer-Negrini G, Bellaver B, Lussier FZ, Ferreira PCL, Povala G, Cortese S, Rohde LA, Molina BSG, Pascoal TA. Age at Diagnosis and Clinical and Genetic Profiles Among Adults With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. JAMA Network Open. 2026;9(9). DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2026.34125.


2.    Breda V, Rohde LA, Menezes AMB, Anselmi L, Caye A, Rovaris DL, Vitola ES, Bau CHD, Grevet EH. The neurodevelopmental nature of attention-deficit hyperactivity disorder in adults. The British Journal of Psychiatry. 2021;218(1):43–50. DOI: 10.1192/bjp.2020.200.


Sobre a capa: As formas que aparecem entre as camadas de tinta sugerem uma história que se revela aos poucos. A pintura convida a olhar para a trajetória de cada pessoa, além do momento em que recebeu o diagnóstico.

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